O carisma da Fraternidade Jesus Salvador
é o Louvor de Deus sob todas as suas formas - a litúrgica
em primeiro lugar – e, como conseqüência
desse Louvor, a procura de santificação
pessoal e comunitária, através
da consagração ao Espírito
Santo, Deus-Amor. O amor que o Espírito
Santo derrama nos corações dos
membros da comunidade os torna participantes
do carisma javista e orienta todas as suas
forças para o Louvor de Deus.
“Louvar a Deus é a primeira obra
e essencial tarefa do Servo e da Serva de
Jesus Salvador. Está intrinsecamente
ligada ao caráter oracional da Fraternidade.
Primeiramente oramos, depois colocamo-nos,
pela força da oração,
em missão. Se o louvor não brotar
de nossos corações, descaracteriza-se
e deixa de existir a Fraternidade Jesus
Salvador, seus membros e sua atuação.
Este louvor nada mais é do que pura
expressão de gratidão ao Deus-Amor
e idêntico empenho nosso em sua obra
de renovação de cada criatura
e de todo o mundo. Todos os nossos atos e
movimentos se resumem no Louvor de Deus e
o que não serve para o seu louvor ou
o impede, deve ser afastado do nosso meio.
Tudo o que possa contribuir para o Louvor
de Deus, deve ser utilizado, sem reservas,
como seu instrumento”, expicava Pe.
Gilberto, sjs, que ao longo de sua vida foi testemunha
dessa missão delegada por Deus à
obra por ele fundada.
No Louvor de Deus estão implícitos
toda a Adoração, o Agradecimento
e o Amor que lhe são devidos como Divindade
Una e Trina. O que leva a comunidade javista
a este constante louvor divino é a
procura do “Único Necessário”
em suas vidas; é estar com Deus e nele
mergulhando, vivendo, respirando e existindo.
Em nossos tempos,
aqueles que se dedicam ao louvor do Senhor
concretizam o Seu Reino, antecipam a glória
celestial e são inundados pelo clarão
do Espírito Santo que vem renovar a
face da terra. É por meio desse louvor
que nos advém, pelo Espírito,
todo o bem, salvação e cura,
toda a graça de Deus.
Como necessária forma de louvor, a
Fraternidade Jesus Salvador firma-se
na tríplice devoção da
Santa Eucaristia, do Divino Espírito
Santo e da Santa Virgem Maria. O Louvor de
Deus é apresentado, principalmente,
através de formas da Sagrada Liturgia
e para deixar isso em evidência, Pe.
Gilberto afirmava: “Nossa Fraternidade
sempre empregará e usará de
todo o esplendor litúrgico para tal
louvor a Deus. Em tudo o que fazemos, buscamos
o Louvor de Deus, onde quer que nos encontremos
ou estejamos, cumprindo assim o mandato de
nosso Senhor de em todas as circunstâncias
dar graças. Em tudo reconhecemos a
ação divina, e tributando ao
Senhor o louvor que lhe é devido, estamos
agradecidos, por meio de nosso corpo e alma,
cumprindo o gesto dos mais pequeninos, pois
é da boca das crianças que brota
o perfeito louvor, capaz de confundir nossos
adversários e reduzir ao silêncio
nossos inimigos".
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Em função
de seu carisma, a espiritualidade da Fraternidade
Jesus Salvador é, nitidamente,
oracional e apostólica. Nasce do Espírito
Santo derramado nos corações
dos servos e servas javistas e de sua adoção
filial por Deus. Ela se desenvolve pelo dom
de Deus sobre eles e pelo dom deles mesmos
aos irmãos. Sendo assim, sua consagração,
vida de oração, vida comunitária
e vida apostólica harmonizam-se integralmente.
Nossa espiritualidade é específica
de uma Fraternidade voltada integralmente
a alcançar a santidade de vida de seus
membros, em cada um de seus ramos, e de todos
aqueles que o Senhor colocar em seu caminho.
A espiritualidade
javista é, portanto, uma espiritualidade
carismática, fundada pelos seguintes pontos:
1º.
Acreditamos que os carismas ou dons enunciados
nas Escrituras, em especial I Cor 12, 13 e
14, e os frutos do Espírito Santo,
em especial Gl 5,22-25, podem hoje de novo
acontecer nos que invocam e esperam, pelo
mesmo Espírito Santo, um novo Pentecostes
em suas vidas de cristãos;
2º. Acreditamos e confiamos
mais na ação direta e na unção
do Espírito, do que na capacidade dos
homens e de suas refinadas técnicas;
3º. Acreditamos
e confiamos mais nas inspirações
divinas, amando a Palavra de Deus na Bíblia,
tendo-a como companheira e nela meditando
dia e noite; 4º.
Queremos obedecer, como Cristo obediente até
a morte e morte de cruz, na perfeita obediência
a Deus Pai, e por isso, na obediência
filial à Santa Igreja e à sua
Hierarquia; 5º.
Desejamos obedecer ao nosso Senhor e a nossa
Igreja, dando testemunho do Evangelho, sem
medo e sem covardia; 6º.
Procuramos viver os mistérios de Deus
Pai e de seu Cristo no Espírito, por
meio dos sacramentos recebidos com freqüência,
na participação do Santo Sacrifício
da Missa e na confissão pessoal, nas
orações, sacrifícios
e jejuns freqüentes, nas visitas aos
doentes e mais atos de misericórdia
cristã, no testemunho pessoal de nossas
vidas, edificando o povo de Deus e, atualizando
hoje, os gestos dos cristãos da Igreja
Primitiva; 7º.
Aplicamo-nos com assiduidade nas preces e
cânticos de louvor a Deus e de suas
maravilhas, fazendo-o de alma e de corpo,
levantando os braços para Ele, o Criador
de todo o nosso ser, não nos preocupando
com os olhares reprovadores do mundo que nos
julgam alienados, porque não compreendem
de que vinho estamos inebriados;
8º. Queremos viver nas
profundezas do Espírito, da oração
contemplativa, sem nos preocupar em demasia
com o agito que dispersa, no social que não
converte, nem proclama Jesus Cristo e seu
Evangelho; 9º.
Preferimos nos tornar um místico e
um asceta, do que um trabalhador da vinha
que não consegue se deter para a escolha
da melhor parte; 10º.
Acreditamos salvar mais almas para o Céu,
através do apostolado da oração
- alma de qualquer apostolado -, do que trabalhar
confiando mais em nossas próprias idéias
e forças; 11º.
Acreditamos e temos certeza de que o Pentecostes
da Igreja Primitiva, em que ocorriam milagres,
curas, sinais e prodígios, de fato
se repete no “hoje” de nossos
tempos e de nossas vidas; só não
ocorrendo vê-los os que não se
detêm a perceber os “sinais dos
tempos” de que Cristo nos alertou;
12º. Acreditamos
e professamos nossa total adesão à
Providência Santíssima de Deus,
e desacreditamos de quaisquer coincidências
e fortuidades de cada momento em nossas vidas,
de toda força que não esteja
única e diretamente remetida ao poder
de Deus, e na ação do Espírito,
pois quem de nós, por mais que nos
preocupemos, pode acrescentar um só
centímetro à duração
à sua vida? Verdadeiramente não
devemos andar com vãs preocupações,
pois até mesmo os cabelos de nossas
cabeças estão todos contados
e nenhum dos seus fios caem sem que o Pai
o queira. Busquemos, antes, portanto, o Reino
de Deus e a sua justiça, e todas as
demais coisas nos serão dadas por acréscimo.
13º. Acreditamos
e esperamos pela promessa de Cristo ressuscitado
de que seríamos batizados no Espírito
Santo, nós e aos que esperarem, também,
o cumprimento da promessa do Pai, que ouvimos,
disse Jesus, da sua boca, e manifestado em
muitos, ontem e hoje, derramando em Pentecostes
seu Paráclito, àqueles que perseveraram
unanimemente na oração, juntamente
com Maria, Mãe de Jesus. 14º.
Acreditamos e acolhemos com humildade e interesse
cordial as revelações particulares
que o Senhor faz hoje, como sempre o fez na
história da Igreja e dos Santos, aos
simples de coração. Jesus exultou
de alegria no Espírito Santo, dando
graças ao Pai, porque foi do agrado
d’Ele coisas esconder aos sábios
e inteligentes e as revelar aos pequeninos.
Não as contrapondo nem à Revelação,
nem à Tradição, mas aceitando
o que a mesma Santa Igreja aceita no discernimento
do Espírito, algumas delas mesmo elevando
às honras da Liturgia Sagrada. Não
nos julgando no direito de colocar limites
à bondade e à misericórdia
do Senhor, que inspira, fala e opera no coração
dos seus fiéis, quando quer e como
quer. 15º.
Finalmente, nossa Fraternidade se propõe
a levar adiante, pelos tempos afora, este
Sopro Divino que Ele hoje acendeu para renovar
a face da terra com seu fogo de Amor, e levá-lo
a se perpetuar no mundo, como tocha esplendorosa
de uma era, que irá deixar de ser infiel
e voltar-se toda para o Senhor, convertida
e purificada como Noiva do Cordeiro.
Condição primeiríssima
para o ingresso ou pertença à
Fraternidade, em algum de seus ramos, é
a abertura a esta espiritualidade, através
da adesão efetiva e afetiva aos seus
princípios fundamentais. Esta exigência
se deve ao fato de que o mais importante e
o que mais atenção exige numa
Comunidade é que todos os que a integram
tenham o mesmo espírito, que lhe é
peculiar. |